Enem ou Vestibular: Qual a Melhor Maneira de Ingressar numa Faculdade

O último ano do ensino médio costuma ser complicado. Ele significa a despedida de um longo período escolar e é um momento que geralmente traz dúvidas sobre qual curso de graduação escolher. Essa decisão também passa, muitas vezes, por uma mudança de cidade, sem contar que você precisa escolher se irá começar a faculdade imediatamente após finalizar o ensino médio ou se é melhor aguardar um tempo para isso. Além dessas dúvidas que precisam ser respondidas, ainda há a incerteza de como ingressar numa faculdade. Qual a melhor opção: fazer Enem ou vestibular?

Há sempre a opção de fazer os dois, claro. Porém, tanto o Enem quanto o vestibular são testes massivos que requerem dedicação e preparação. Não apenas para enfrentar os conteúdos que são cobrados para cada um desses processos seletivos, mas também devido às aflições que eles causam. Apesar de, em uma primeira análise, não parecer, o Enem e o vestibular são alternativas bem distintas. Para decidir com segurança entre elas. é muito importante que você conheça bem as suas opções. Portanto, fique atento às dicas a seguir!

Ingressar numa Faculdade: Saiba mais sobre o Tradicional e Respeitoso Vestibular

Vestibular. Ouve-se tanto essa palavra por aí, mas você já parou para pensar como, quando e o porquê de ele ter sido criado?

Segundo o acervo do jornal Estadão, no início do ensino superior brasileiro só entrava na universidade quem cursava o colégio tradicional. Ou seja, a faculdade consistia em um sistema que privilegiava uma minoria rica através de uma regra excludente.

Quando as escolas superiores foram criadas, os candidatos precisavam ter 16 anos, no mínimo, e passar pelos chamados “exames de madureza”. Mas os professores e empregadores começaram a identificar falhas no processo de classificação. Essas falhas foram verificadas porque muitos alunos não tinham condições intelectuais de acompanhar as aulas e exercer uma profissão após formados.

Assim, o governo federal criou o Concurso de Habilitação para Ingresso nas Faculdades, uma prova que selecionava os melhores alunos para o ensino superior. O vestibular, com esse nome mesmo, surgiu apenas em 1915, quando os ensinos secundários e superiores foram reorganizados no País.

Vestibular, segundo Rose Saconi, articulista do Estadão, tem origem no termo “vestíbulo”, espaço entre a porta de entrada e as principais dependências de uma casa. Uma metáfora, já que o vestibular abriria uma “porta” para os estudantes que desejavam cursar uma graduação.

Em 1961, todos os estudantes que tivessem concluído o ensino médio receberiam a permissão para prestar vestibular e entrar em uma faculdade. Com isso, essa forma de ingresso se popularizou e cada instituição passou a planejar as suas provas a partir de seus próprios critérios, datas e vagas disponíveis.

A evolução dessa prova não parou por aí. Desde então, o vestibular vem se transformando com a inclusão de mais opções inclusivas, digitais e dinâmicas de ingressar numa faculdade.

Conheça mais sobre o Vestibular e as suas Opções

O processo seletivo chamado vestibular é dinâmico. Com o passar do tempo, como comentamos antes, cada instituição de ensino superior, pública ou privada, focou em oferecer formatos diferentes que permitissem aos alunos ingressar numa faculdade.

O portal Guia do Estudante aponta que conhecer os tipos de vestibulares é importante, mas que, antes de mergulhar nessa forma de ingressar numa faculdade, é essencial que você saiba qual curso você quer fazer e em qual universidade você gostaria de estudar. Essa identificação deve anteceder a preocupação com os tipos de processos seletivos do Enem ou do vestibular.

Alessandra Venturi, coordenadora do Cursinho da Poli, afirmou em entrevista ao portal que essa ordem de pensamento facilita a organização de cada candidato. “Quando você prioriza a escolha do curso e da universidade, o tipo de vestibular é apenas uma consequência. Afinal, não vale a pena prestar vestibular em uma instituição que não oferece o curso de sua preferência”, argumenta a especialista.

Há também vestibulares com duas etapas eliminatórias: uma para testar os conhecimentos gerais e outra para verificar os conhecimentos específicos de quem está procurando ingressar numa faculdade. O número de questões também varia, assim como o tempo disponível para resolver os exercícios.

Em alguns vestibulares a redação é parte fundamental, enquanto que em outros ela nem é exigida. Esses detalhes também precisam ser avaliados e observados pelos candidatos. Para se preparar para o vestibular, é fundamental compreender os métodos aplicados e fazer algumas provas antigas para se familiarizar com a didática e o estilo exigidos.

Vale ressaltar também que para prestar o vestibular, dependendo do perfil da instituição de ensino, uma taxa é cobrada. Essa taxa pode variar de estado para estado, caso a instituição tiver unidades espalhadas pelo País. De qualquer forma, é preciso ficar atento ao quanto você pode investir para então decidir quantos vestibulares diferentes irá fazer.

Cada instituição utiliza um sistema diferente de provas para quem deseja ingressar numa faculdade. Todavia, o mesmo sistema pode ser utilizado para ingressar em universidades distintas. Alguns sistemas conhecidos são os oferecidos pela Fuvest, que é utilizado pela USP; o sistema da Acafe, utilizado pela Univali, pela Furb e pela Udesc; e o sistema da Estácio, que é utilizado por todas as unidades da instituição de ensino espalhadas pelo País.

Diferentes Tipos de Vestibulares para Ingressar numa Faculdade

Já foi o tempo em que os vestibulares pareciam ultrapassados. As instituições de ensino superior, principalmente as universidades privadas, decidiram acompanhar as inovações aplicadas na educação. Com isso, recentemente, elas começaram a oferecer formas diferentes, versáteis e flexíveis de o candidato fazer o processo seletivo e ingressar numa faculdade.

O portal Guia do Estudante reuniu os principais formatos oferecidos. Confira as características de cada um deles:

1. Vestibular tradicional

Nesse tipo de processo seletivo as instituições divulgam um edital com as normas e os conteúdos do vestibular alguns meses antes da realização da(s) prova(s). O estudante deve então se inscrever, pagando uma taxa para que ele esteja habilitado a participar da prova. Nesse modelo de vestibular a prova é realizada em uma ou mais fases, dependendo do curso e das exigências estabelecidas por aquela universidade.

2. Vestibular com provas de habilidades específicas

Além das provas do vestibular tradicional, para determinados cursos é preciso fazer ainda uma avaliação de habilidades específicas. Cursos como Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Plásticas, Desenho Industrial e Música geralmente exigem esse tipo de prova. O objetivo das provas de habilidades específicas é avaliar se o candidato possui aptidão necessária para seguir em uma determinada área.

3. Vestibular seriado ou continuado

Adotado por algumas universidades, o vestibular seriado é uma forma de avaliação dividida em etapas anuais. Dessa forma, as avaliações são aplicadas durante os três anos do ensino médio – e não apenas no último ano, como é feito no vestibular tradicional.

4. Vestibular agendado e prova eletrônica

O vestibular agendado é uma forma de ingressar numa faculdade adotada pela maioria das instituições privadas. Entre as instituições que oferecem essa modalidade está a conceituada Universidade Estácio de Sá. A instituição, que oferece cursos presenciais e a distância, possui mais de 90 unidades e 500 polos em todos os estados da federação e no Distrito Federal.

O objetivo dessa opção de ingresso é facilitar o acesso do aluno à faculdade, já que as datas e horários para a realização do vestibular são mais flexíveis. É possível, na maioria dos casos, agendar a prova por telefone ou pelo site das faculdades.

Além da prova agendada feita em papel, muitas instituições também oferecem a prova eletrônica, feita em computadores nos câmpus das próprias instituições. A vantagem dessa modalidade é que o resultado pode ser conferido na hora ou em poucos dias após a realização do vestibular.

Outra Forma Conhecida de Ingressar numa Faculdade: O “Temido e Amado” Enem

Diferentemente do vestibular, o Enem representa uma possibilidade bem mais recente de ingressar numa faculdade. Criado em 1998 pelo Ministério da Educação (MEC), o exame tinha como objetivo principal, originalmente, avaliar a qualidade do ensino médio oferecido no Brasil.

Hoje, com a evolução do Enem, o cenário mudou. O exame passou a ser usado também como critério de classificação em diversos processos seletivos para ingresso no ensino superior. Além disso, o Enem oferece outras vantagens que muita gente nem sabe que existem.

Para começar, o Guia do Estudante lembra que o processo do Enem é único. Com o Enem, você pode concorrer a vagas em diferentes instituições de ensino e em diferentes lugares. Por isso, se você é aquele aluno que ainda está cheio de dúvidas e não sabe exatamente qual curso escolher e nem onde estudar, talvez o Enem seja perfeito para você.

Como o Enem é uma prova única que serve para diversas faculdades, é possível economizar com taxa de inscrição. Mas se você é muito ansioso, o processo todo pode ser bem complicado.

Segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), desde a fase de inscrição até o resultado final, você deverá esperar 10 meses. Vencida a etapa das provas, contudo, o gabarito geralmente é divulgado em pouco tempo: até 3 dias após a última prova.

Resumidamente, as etapas do Enem são as seguintes: publicação do edital; pedido de isenção da taxa; inscrição dos candidatos; pagamento da taxa; entrega do cartão de confirmação com local e data da prova; realização do exame; publicação dos gabaritos e, finalmente, a divulgação do resultado final.

Todo esse processo coloca você diretamente dentro de uma instituição de ensino superior? Não! Com a sua nota em mãos, você precisa decidir como utilizará o resultado para ingressar numa faculdade.

É nesse momento que você verificará se o seu resultado no Enem irá complementar sua nota em um vestibular tradicional de uma instituição privada ou definir se você irá se inscrever no Sisu (Sistema de Seleção Unificada do Ministério da Educação). Lembrando que o Sisu é utilizado pelas instituições públicas de ensino superior, que oferecem vagas aos candidatos participantes do Enem.

Quais são as possibilidades para quem tirou uma boa nota no Enem?

Com a nota do Enem em mãos, chega o momento de tomar aquelas decisões importantes: qual curso e qual instituição de ensino escolher? Segundo o Guia do Estudante, através do resultado desse processo seletivo o candidato pode concorrer a mais de 220 mil vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e estudar em qualquer estado do Brasil.

Além disso, o Enem também dá a chance de concorrer a bolsas integrais e parciais em instituições particulares pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Outra vantagem desse processo seletivo para ingressar numa faculdade é que ele permite ao candidato fazer um curso pagando os estudos apenas depois de formado, através do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Entenda melhor como funcionam esses programas e iniciativas de acordo com o Ministério da Educação:

– Sisu

O Sisu é um sistema de seleção eletrônico para universidades públicas e privadas que tem como critério o desempenho de cada candidato no Enem. Para concorrer às vagas é preciso ter feito a prova mais recente do exame e não ter obtido nota zero na redação. A partir de 2019, o MEC prepara, além das etapas tradicionais de início e meio do ano, uma terceira edição do Sisu para preencher vagas remanescentes.

Uma das principais vantagens desse processo seletivo é a possibilidade de concorrer a vagas em faculdades distantes sem precisar sair de casa e fazendo somente a prova do Enem. A participação no sistema é gratuita e algumas instituições adotam notas mínimas para inscrição em determinados cursos. Nesse caso, no momento da inscrição, se a nota do candidato não for suficiente para concorrer àquele curso, o sistema emite uma mensagem com essa informação e é possível trocar de opção.

– ProUni

O sistema de seleção do ProUni é bem parecido com o do Sisu. A diferença é que, ao invés de concorrer a vagas em uma universidade pública, o estudante concorre a bolsas para estudar em instituições privadas. É preciso fazer o Enem do ano anterior para se candidatar às bolsas integrais e parciais. Também é uma exigência do ProUni que o candidato tenha tirado nota mínima de 450 pontos no Enem e nota acima de zero na redação. Só pode participar do ProUni quem ainda não tem um diploma de ensino superior.

Para concorrer às bolsas integrais do programa, o candidato deve ter renda bruta familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. Já para as bolsas parciais (de 50%), a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa. Além disso, é preciso ter cursado o ensino médio em escola pública ou ter recebido bolsa em escola particular.

– Fies

Com uma oferta de cursos mais limitada do que a do Sisu e a do ProUni, o Fies é outra forma de entrar em uma faculdade usando a nota do Enem. Para acessar o Fies é preciso ter média de 450 pontos nas provas do Enem e não ter zerado a redação. Além disso, o candidato deve ter renda familiar mensal por pessoa de até 2,5 salários mínimos.

O Fies oferece financiamento de até 100% do valor do curso para estudantes que não tenham condições de pagá-lo durante o período da graduação. Os juros do Fies são menores do que os praticados por outros bancos, mas mesmo assim é necessário se planejar antes de assumir essa dívida.

Além disso, algumas universidades utilizam a nota do Enem para oferecer bolsas de estudo. No caso da Estácio, por exemplo, a bolsa varia conforme a nota obtida no Enem. O mínimo de bolsa oferecida por essa modalidade é de 40% para todo o curso, valor que pode chegar a 100% no primeiro semestre e 50% durante o restante da graduação, conforme a pontuação obtida no Enem.